Mídia mistifica o MST, diz assessora de imprensa

By agexportal3
Por Francielle dos Santos Silva

Há 26 anos almejando a reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) utiliza a assessoria de comunicação como instrumento de luta em favor da distribuição da terra. Embora o movimento recorra a diversos meios para divulgar e promover seus atos e evento, existe relutância da grande mídia em veicular as notícias produzidas pelo setor.

Em palestra realizada na Semana de Comunicação, na terça-feira, 3, na Unisinos, a jornalista Raquel Caziraghi, assessora de imprensa do movimento há três anos, comentou as dificuldades enfrentadas para desmitificar a idéia de que o MST é violento. À imprensa, lamentou, só interessam notícias a respeito de protestos e invasões feitas pelos assentados. “Geralmente são abordagens preconceituosas. Por isso, o MST conta com veículos alternativos, que não atingem um grande público, mas que pluralizam e aprofundam nossos assuntos”, declarou.

Atualmente, dois jornais, um destinado aos assentados e outro à sociedade, uma revista, via assinatura, e um site são os veículos que a assessoria de comunicação usa para divulgar as ações do grupo. Além disso, o movimento conta com seis rádios comunitárias, nas quais os próprios agricultores cuidam da programação.

Estudantes remeteram 42 perguntas aos representantes do MST, com questionamentos sobre as práticas do movimento até a procedência dos recursos para se manter. Agricultor assentado há mais de dez anos, Vicente Willes encarregou-se da maioria das respostas. Ele afirmou que o grupo vive com dificuldade, mas se mantém da comercialização de produtos agrícolas, de doações de entidades, parceiros nacionais e internacionais ligados às igrejas, e de projetos específicos para ações nos assentamentos.

Quanto às ocupações de fazendas, Willes explicou que o movimento considera essa ação como a melhor maneira de pressionar o governo para implantar a reforma agrária. “A ocupação de terra foi instrumento de luta do movimento desde o seu início. A Constituição brasileira garante o direito à terra, mas principalmente à vida. Não são ocupações violentas”, defendeu.

Indagado, Vicente confessou certa decepção com o governo Lula. Para ele, as mudanças previstas não ocorreram e a administração pública tem beneficiado apenas o agronegócio e os grandes produtores, deixando de lado a questão camponesa.

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